Os Thunderbirds são o Esquadrão de Demonstração Aérea da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF - United States Air Force), atribuídos ao 57th Wing, baseado em Nellis, Nevada.
O esquadrão passeia pelos Estados Unidos e pelo mundo, efetuando performances acrobáticas e voos solos em aeronaves caracterizadas. O nome vem da lendária criatura que aparece na mitologia de muitas culturas indígenas da América do Norte.
Em 1º de março de 2013, a USAF anunciou que devido ao corte de gastos, as performances da equipe iriam cessar indefinidamente em 1º de abril de 2013. Em 6 de dezembro de 2013 os Thunderbirds anunciaram seu calendário para 2014 e a retomada de suas aparições.
Os Thunderbirds são um esquadrão nomeado da USAF, o que significa que não tem uma designação numérica. É também um dos mais antigos esquadrões da Força Aérea, suas origens datam da organização do 30º Esquadrão Aéreo, formado em Kelly Field, Texas, em 13 de junho de 1917.
Oficiais servem dois anos com o esquadrão, enquanto o pessoal alistado servem de três a quatro anos. Como o esquadrão executa não mais que 88 apresentações por ano, substitutos devem ser treinados por cerca de metade da equipe a cada ano, a fim de proporcionar uma mistura constante de experiência. Além de suas responsabilidades de demonstração aérea, os Thunderbirds integram a força de combate da USAF e, se requisitados, podem ser rapidamente integrados em uma unidade de caça operacional. Desde 15 de fevereiro de 1974, os Thunderbirds estão integrados ao 57th Wing em Nellis. Desde 1953, eles já voaram para mais de 300 milhões de pessoas.
F-16 Fighting Falcon
Os Thunderbirds executam suas demonstrações aéreas atualmente a bordo dos F-16C Fighting Falcon. Dois F-16D de treinamento também são utilizados.
O F-16 tem sido a aeronave de demonstração dos Thunderbirds desde 1983. Em janeiro de 1982, muitos membros do esquadrão foram mortos no que ficou conhecido como "Diamond Crash" dos T-38 Talon, que eram utilizados desde 1974. Como resultado parcial do acidente, o esquadrão substituiu suas aeronaves pelo F-16A, não executando demonstrações no ano de 1982, utilizando este ano para treinamento e transição do pessoal para a nova aeronave, de forma a estarem aptos para apresentações em 1983. O F-16, entretanto, já era cogitado para ser substituto aos T-38 mesmo antes do acidente. Na reconstrução da Equipe Thunderbirds, a USAF recrutou antigos pilotos dos Thunderbirds, qualificou cada um no F-16A, começaram a voar em pares, e então extenderam o programa uma aeronave por vez até completar o conjunto com seis aeronaves. Iniciando em junho de 1982, os F-16 dos Thunderbirds foram liderados pelo Major Jim Latham.
A equipe continua voando nos F-16, tendo substituídos os F-16A pelos F-16C em 1992. Apenas uma pequena modificação difere um F-16 Thunderbird de uma aeronave operacional. Estas incluem a substituição do canhão de 20mm e tambor de munição por um sistema gerador de fumaça, incluindo seus interruptores de canalização e controle, a remoção da porta de escape de combustível, e a aplicação de um esquema de pintura em branco, vermelho e azul brilhantes. Todos os trabalhos de modifiacações são executados no centro de manutenção em Hill, próximo de Ogden, Utah. Além destas modificações, as aeronaves são retiradas do inventário padrão da USAF como caças de combate, e podem retornar para um esquadrão operacional em pouco tempo, sem qualquer modificação importante.
Rotina de Demonstração
Do final da pista de decolagem, a Equipe Thunderbirds prepara-se para iniciar sua decolagem com as palavras "Thunderbirds, let's run em up!" sendo retransmitidas do microfone do lider da equipe para a multidão ouvir.
Diamond: Históricamente, quando os Thunderbirds 1 a 4 decolam, a aeronave 4 imediatamente desliza para a posição atrás da aeronave 1, criando a formação de diamante. Graças ao upgrade de 2009 para o F-16 Block 52, o Diamond tem impulso mais do que suficiente para continuar a sua subida para sua primeira manobra, o Diamond Loop.
Solos: Thunderbird 5 decola para executar um teste a baixa altitude seguido pelo Thunderbird 6 que executa um "Split S" subindo em uma manobra quase vertical, rolando e mergulhando de volta, subindo pouco acima da pista e saindo na direção oposta.
Os Thunderbirds mostram alternativas entre as manobras executadas pelo diamante, e aquelas executadas pelos solos. Eles tem um total de 8 formações diferentes: The Diamond, Delta, Stinger, Arrowhead, Line-Abreast, Trail, Echelon and the Five Card. A Arrowhead executa manobras em formação cerrada tão perto, chegando a 18 polegadas de distância entre fuselagem e canopy. Eles executam ciclos de formação e transições de uma formação para outra. Todas as manobras são feitas acima de 650Km/h.
Os solos costuma fazer manobras logo abaixo da velocidade do som (800Km/h a 1100Km/h) e mostrar as capacidades individuais de seus F-16, fazendo manobras como passagens rápidas, passagens lentas, rolagens rápidas, rolagens lentas e curvas extremamente acentuadas. Algumas de suas manobras incluem os dois F-16 do solo, como passagens opostas (passando muito próximos um do outro) e formações em espelho (os dois F-16 voam de costas um para o outro, ou barriga-com-barriga. Em formações espelho, um Thunderbird deve ficar de cabeiça para baixo, e é sempre número Thunderbird 5. Na verdade, o "5" nesta aeronave é pintada de cabeça para baixo, e, portanto, aparece do lado direito para cima para grande parte da rotina). Há também uma quantidade extra de humor em relação ao desempenho invertida do Thunderbird Five: os pilotos todos usam trajes de vôo sob medida com o seu nome e número de jet bordado no peito esquerdo. O 5 é bordado invertido.
Chegando ao fim o diamante puxa para cima na vertical para executar a assinatura "Bomb Burst", onde todos os 4 aviões rompeem em direções distintas, enquanto um solo vai direto para cima através da manobra e realiza rolagens até três milhas acima do solo. No fim da apresentação, todas as seis aeronaves juntam-se em formação, formando o Delta.
Uma das apresentações fixas dos Thunderbirds é a cerimônia anual na United States Air Force Academy, em Colorado Springs. Os caças voam sobre o Falcon Stadium no momento preciso em que os cadetes jogam seus quepes para o ar ao final da cerimônia.
Acidentes
Os Thunderbirds já realizaram mais de 4.000 shows aéreos em todo o mundo, acumulando milhões de quilômetros em centenas de diferentes fuselagens ao longo de seus mais de 60 anos de serviço. Voando em caças de alto desempenho o perigoso é iminente; quando voando em formação extremamente perto o perigo é agravado. A equipe sofreu três acidentes fatais durante shows aéreos, dois deles em jatos:
O primeiro foi a morte do Major Joe Howard voando Thunderbird 3 em 4 de junho de 1972 no aeroporto de Dulles, durante Transpo 72. Seu Phantom (F-4E s/n 66-0321) sofreu uma falha estrutural do estabilizador horizontal. Major Howard ejetou quando o avião caiu de volta à terra de cerca de 1.500 pés, mas estava muito perto da bola de fogo gerada pela explosão não sobreviveu.
O segundo óbito ocorreu 9 de maio de 1981 em Hill, Utah, quando o capitão David "Nick" Hauck, voando no Thunderbird 6, caiu durante a realização da manobra hi-lo. Capitão Hauk, no Thunderbird 6, caiu ao tentar pousar o seu T-38 depois que um motor com defeito pegou fogo. Com uma fumaça preta saindo do exaustor e perdendo altitude mesmo com o nariz pra cima, o oficial de segurança em solo disse pelo rádio ao Capitão Hauck: "Você está em chamas, ejete", ao que ele respondeu: "Espere, temos um monte de gente lá em baixo". A aeronave continuou lutando para ficar no ar por cerca de 700Km antes de bater em um grande carvalho e um celeiro, deslizando através de um campo e atravessando um canal de irrigação, e explodindo em uma bola de fogo a poucas centenas de metros do final da pista. Ninguém na terra foi ferido, mesmo o acidente ocorrendo ao lado de uma estrada repleta de espectadores.
Outro acidente, desta vez não fatal, mas bastante conhecido pelas imagens que gerou, ocorreu em 14 de setembro de 2003. Capitão Chris Stricklin, voando no Thunderbird 6, sofreu um acidente durante um show aéreo em Mountain Home, Idaho. Imediatamente após a decolagem, Stricklin tentou uma manobra "Split S" (que ele tinha realizado com sucesso mais de 200 vezes) com base em uma altitude de nível do mar incorreta do aeródromo, 1100 pés (335 m) maior do que a base de Nellis. Subindo para apenas 1.670 pés (509 m) acima do nível do solo, em vez de 2500 pés (762 m), Stricklin tinha altitude insuficiente para completar a manobra, mas orientou a aeronave F-16C para a pista longe dos espectadores e ejetou menos de um segundo antes do impacto. Ele sobreviveu com apenas ferimentos leves e ninguém em terra foi ferido, mas a aeronave de 20 milhões dólares foi completamente destruída.
O procedimento oficial para a demonstração de manobras "Split S" foi alterado, e a USAF agora requer que tanto os pilotos Thunderbirds quanto a equipe em terra trabalhem com a altitude relativa ao nível do mar, em oposição à equipe em terra trabalhando com altitude relativa ao solo e os pilotos com altitude relativa ao mar, o que levava a dois conjuntos de números que tinham que ser reconhecidos pelo piloto. Além disso, os pilotos também elevam a aeronave a 1.000 pés (305m) adicionais antes de iniciar a manobra "Split S"